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rildo oliveira

Kenard Kruel: um escritor em busca de leitor!: Março 2008 - 0 views

  • Who's afreud of Sigmund Freed
  • solidão povoada
  • rildo oliveira
     
    Ótimo blog, na minha opinião!
rildo oliveira

Otto Guerra - 0 views

  • rildo oliveira
     
    Otto Guerra é um grande artista da animação. Destaco o trabalho "Novela" (1992), uma sátira aos enredos folhetinescos das telenovelas.
rildo oliveira

DOUTORADO NA PUC - TEMA: "PREGUIÇA BAIANA" DÁ DOUTORADO À PAULISTA! « Estados de ... - 0 views

  • não passa de racismo
    • rildo oliveira
       
      Esses estereótipos não se reduzem a agenciamentos do que se chama 'racismo', envolve outros elementos, como se pode depreender de trechos mais adiante.
  • tese de doutorado defendida na USP
    • rildo oliveira
       
      Doutorado em Ciência (Antropologia).
      Universidade de São Paulo, USP, Brasil.
      Título: O Mito da Preguiça Baiana, Ano de Obtenção: 1998.

      Para ver o Currículo (Sistema Lattes) de Elisete Zanlorenzi, siga o link: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4780180Z6
  • foi defendida no início de setembro
    • rildo oliveira
       
      ... de 1998 (há dez anos!)
  • ...15 more annotations...
  • o baiano é, muitas vezes, mais eficiente que o trabalhador das outras regiões do Brasil
    • rildo oliveira
       
      A afirmação é vaga e acredito que a antropóloga, se chega a fazê-la, não o faz nesses termos, mas com o aporte de evidências. De todo modo, acredito que essa afirmação serve para referir baianos, paulistas, cariocas, paraibanos, capixabas, gaúchos, sergipanos... e assim por diante.
      A afirmação está marcada por três limitações sufocantes: 1) ela decerto requer evidências; 2) os termos são designativos reducionistas, ao mesmo tempo generalizantes e essencialistas, remetendo sobretudo a uma imaginação identitária, a uma ficção étno-geográfica que apela ao postulado simplista da essência cultural que se presumiria num contingente populacional dito "o povo de um lugar"; 3) ela parece emergir como o grito de quem sempre 'se viu sendo visto' como menos qualificado em algo e, de repente, se arma de um discurso que desfaz ou pelo menos abala essa visão, que já há muito se encontrava arraigada, e então, se aproveitando da chance que lhe parece dada, pretende no mínimo sugerir que a 'Verdade' seria o contrário, que ele não só não seria destituído daquele qualidade que tanto se afirmou não ser um de seus dotes, mas que, "muitas vezes", seria até mesmo mais qualificado que 'os outros'.
  • é justamente no período de festas que o baiano mais trabalha
    • rildo oliveira
       
      Mais uma vez esse lastimável recurso a esse personagem sem arestas, 'o baiano'. É assim que se tecem e se cozem os dramas etnocêntricos, é assim que se faz o teatrinho das verdades de cada etnocêntrismo posto em ação: 'o paulista é trabalhador, carrega o Brasil nas costas'; 'o baiano sabe viver', 'o pernambucano é muito fechado', 'o gaúcho é veado', 'o mineiro come quieto'...
  • Quem se diverte é o turista
    • rildo oliveira
       
      Muitos turistas, inclusive de outras cidades baianas (turistas baianos em Salvador, moradores da cidade... muita gente se diverte durante o carnaval de Salvador (e também pode se aborrecer!), sem que o trabalho necessariamente exclua a possibilidade da diversão.
  • O objetivo da tese foi descobrir como a imagem da preguiça baiana surgiu e se consolidou
    • rildo oliveira
       
      Isso sim é da maior importância! Espero, por inclinação pessoal, que a autora tenha recorrido ao pensamento de Foucault sobre o discurso e, de modo mais específico, sobre as condições de possibilidade de algo ser dito e se estabelecer. Penso nas condições de possibilidade da atribuição da preguiça como um traço da imaginada identidade baiana. Penso também em como é rica e diversificada a teia de conexões entre essa idéia da preguiça baiana e outra imagin-ações discursivas agenciadas na ficção da baianidade - a sexualidade, a sensualidade, a alegria, o saber viver...
  • a imagem da preguiça derivou do discurso discriminatório contra os negros e mestiços, que são cerca de 79% da população da Bahia
    • rildo oliveira
       
      Isso qualquer paulista ou piauiense sabe atarraxar ao miolo, caso possua apenas alguns parafusos. Mas é preciso afirmá-lo, repeti-lo, dizê-lo até aos brados da luta retumbante (me empolguei!)
  • como trabalhar bem-humorado em regime de escravidão????
    • rildo oliveira
       
      O mundo seria bem diferente se cada um conseguisse atarraxar isso ao miolo, ainda que frouxamente...
  • Chamá-los de preguiçosos foi a forma de defesa encontrada para denegrir a imagem dos trabalhadores nordestinos
    • rildo oliveira
       
      Atribuir preguiça a uma pessoa ou grupo de pessoas corresponde a DENEGRIR a imagem dessa pessoa ou grupo... Aqui é interessante como a linguagem e os seus hábitos nos conduzem a uma zona de indecidibilidade - o verbo seria apropriado ou não... O verbo não é 'politicamente correto', hoje todo mundo sabe, do Oiapoqui ao Chuí, passando pela cidade paulista de Ribeirão Afrodescendente. Mas se a atribuição de preguiça aos brasileiros de origem africana em condição de escravos entrou nesse processo de estigmatização étnica do qual a idéia de preguiça baiana é mais um produto (ou sub-produto) nefasto (embora por mais de uma razão consumível e até reciclável), então precisamos perceber o que os usos do verbo nos tem a dizer, o que 'denegrir' nos tem a 'esclarecer', quando menos por bem de algum lusco-fusco...
  • como forma de “proteção” dos seus empregos
    • rildo oliveira
       
      Essa 'taxação' não se reduz a um ato estratégico, que seria como que desencadeado a partir de uma consciência capaz de conter todos os caminhos do discurso. O sujeito - cada sujeito, bem como a coletividade - não é o dono do discurso, mas é atravessado por discursos. Pode fazer uso deles, mas há forças para além do sujeito que informam os discursos. Embora pareça que nós o dominemos, é antes o discurso que nos titereteia em suas teias.
  • A preguiça, aí, aparece como uma especiaria que a Bahia oferece para o Brasil”, diz Elisete
    • rildo oliveira
       
      Mas há também uma subversão do estigma que não passa por aí, por uma mera reafirmação do estereótipo via sua pretensa positivação como possibilidade necessária. Sem desdizer do valor do ócio (que não é uma espécie endógena baiana!), há a possibilidade de desafiar o próprio paradigma racionalista da laboriosidade, opondo-lhe o valor do tempo livre, tempo que é também o de pensar, cada um, os próprios caminhos em meio ao que lhe é exigido na vida... Mas isso, mais uma vez, não é uma propriedade baiana.
  • a preguiça foi apropriada por outro segmento: a indústria do turismo, que incorporou a imagem para vender uma idéia de lazer permanente
    • rildo oliveira
       
      É bom lembrar disso. De modo bastante extenso e intenso, os discursos e ações da indústria do turismo são ostensivamente voltados a criar a idéia da especialidade dos destinos, da diferença que pode ser aí incorporada como 'enriquecimento pessoal'. Esse procedimento atinge sobretudo o chamado turismo cultural, mas também o dito turismo ecológico e de aventura. Leia-se O Olhar do Turista (The Tourist Gaze), de John Urry.
  • Segundo a tese
  • um ritmo tão urbano quanto o das demais cidades
    • rildo oliveira
       
      É preciso considerar que há diferenças. Mas de fato não se pode dizer que Salvador não tem uma vida urbana. Vida urbana intensa e industrialização são condições suficientes, mas não são condições necessárias para que haja uma vida laboral intensa. A vida rural pode e é com freqüência muito intensamente laboriosa. Ou não haveria o pão, as farinhas, de mandioca e ou milho, depende do gosto, o feijão e a cachaça de cada dia urbano, nublado ou de sol.
  • em cerca de 10 anos será o maior pólo industrial na América Latina
    • rildo oliveira
       
      Tomara que as obras do metrô, que se arrastam há anos e anos, deixando cheias as bolsas de alguns, assuma essa maravilha de velocidade aqui prometida para o progresso da indústria na terra de Gregório de Mattos e Guerra.
  • A Bahia aparece em 13° lugar
    • rildo oliveira
       
      Isso é um alerta. Precisamos melhor nesse quesito!
  • somos dinâmicos e criativos
    • rildo oliveira
       
      Essa é outra besteira que se fala sobre 'baianos'. Criativos e dinâmicos são todos os chamados primatas superiores, dentre os quais, em maior medida, o chamado homo sapiens, que sabe fazer um acarajé, construir uma casa e montar uma bomba atômica. Mas não sejamos tão mordazes lembrando tragédias causadas por essa beleza de animal, nem tão ingênuos a ponto de acreditar nessa idéia de que há uma especial criatividade nos baianos ou uma especial preguiça... Talvez se possa dizer que o que foi por muito tempo adormecido, ao irromper, quando isso enfim se tornou possível, alastrou-se como algo de algum modo necessário, tanto a um empoderamento étnico, quanto à indústria cultural, na produção da famigerada axé music. E ainda bem que ela não é tudo o que se pode ter da bahia e dos 'baianos'. Mas isso é tão avassalador, que se chega a pensar que a Bahia é só isso! Mas agora eu tenho que trabalhar, prá depois fumar um e, logo que possível, voltar à Chapada Diamantina.
  • rildo oliveira
     
    O tema é relevante, mas o texto desta mensagem de e-mail, aqui e em outros lugares reproduzida, sem que se conheça a sua autoria, incorre em deslizes que prejudicam a apresentação da tese de doutorado de Elisete Zanlorenzi. (polycarpo)
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